A parceria de sucesso Up Brasil com a Sankhya completa quase 20 anos e mostra como inovação e…
Os riscos psicossociais estão cada vez mais presentes nas discussões sobre saúde mental no trabalho, gestão de pessoas e responsabilidade das empresas. Com a revisão da NR-01, o tema ganhou ainda mais relevância para o RH, já que os fatores de risco psicossocial relacionados ao trabalho passaram a integrar expressamente o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, o GRO.
Na prática, isso significa que cuidar da saúde mental deixou de ser apenas uma iniciativa desejável de bem-estar corporativo. Agora, as empresas precisam olhar para aspectos da organização do trabalho, das relações profissionais e da cultura interna que podem afetar a saúde dos colaboradores.
Para o RH, o desafio é transformar uma exigência normativa em ações concretas: identificar riscos, ouvir os trabalhadores, registrar informações, planejar medidas preventivas e acompanhar resultados ao longo do tempo.
Riscos psicossociais são fatores relacionados à forma como o trabalho é organizado, gerido e vivenciado que podem prejudicar a saúde mental, física e social dos trabalhadores.
Eles não estão ligados apenas ao indivíduo. Muitas vezes, surgem de condições do próprio ambiente de trabalho, como excesso de demanda, metas incompatíveis, comunicação falha, ausência de apoio da liderança, assédio, insegurança profissional ou desequilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Entre os exemplos mais comuns estão:
O ponto central é entender que riscos psicossociais não são “fraquezas individuais”. Eles podem estar diretamente ligados à gestão, aos processos, à cultura organizacional e às condições reais de trabalho.
A NR-01 estabelece diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho, incluindo o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e o Programa de Gerenciamento de Riscos, o PGR. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, a revisão aprovada pela Portaria MTE nº 1.419/2024 incluiu expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no GRO.
Isso reforça que a empresa deve considerar esses fatores dentro de uma lógica estruturada de prevenção. Ou seja, não basta agir apenas depois que surgem afastamentos, conflitos ou queda de desempenho. O RH, junto às áreas de saúde e segurança do trabalho, precisa apoiar uma gestão preventiva.
Na prática, a organização deve:
A própria página oficial da NR-01 indica que o GRO é um processo contínuo e sistemático de identificação de perigos, avaliação e controle dos riscos ocupacionais, formalizado por meio do PGR, composto pelo inventário de riscos e pelo plano de ação.

A saúde mental no trabalho se tornou uma prioridade porque impacta diretamente pessoas, cultura e resultados. Ambientes com alta pressão, baixa escuta e relações fragilizadas tendem a gerar mais desgaste emocional, conflitos, afastamentos, rotatividade e queda no engajamento.
Para o colaborador, os impactos podem aparecer como estresse intenso, ansiedade, esgotamento, perda de motivação, dificuldade de concentração e sensação de insegurança. Para a empresa, os reflexos podem envolver absenteísmo, presenteísmo, piora do clima organizacional e dificuldade de retenção de talentos.
Por isso, a gestão de riscos psicossociais precisa ser vista como parte da estratégia de pessoas. Ela ajuda o RH a sair de uma atuação reativa e avançar para uma abordagem preventiva, baseada em dados, escuta e melhoria contínua.
Embora cada empresa tenha sua realidade, alguns fatores aparecem com frequência no ambiente corporativo brasileiro. Conhecê-los ajuda o RH a fazer uma leitura mais prática do tema.
A sobrecarga é um dos riscos psicossociais mais comuns. Ela pode aparecer quando há volume de trabalho incompatível com a equipe disponível, prazos irreais, acúmulo de funções ou metas que não consideram a capacidade operacional.
Quando a pressão vira rotina, o colaborador pode ter dificuldade para se recuperar, descansar e manter uma relação saudável com o trabalho.
Assédio moral, assédio sexual, humilhações, intimidações, discriminação e outras formas de violência são fatores graves de risco psicossocial. Além de afetarem diretamente a saúde das pessoas, comprometem a confiança, a segurança psicológica e a cultura organizacional.
Empresas que tratam esse tema com seriedade precisam ter canais de denúncia, políticas claras, apuração responsável e ações educativas contínuas.
Mudanças frequentes, comunicação pouco clara, medo de demissão, ausência de previsibilidade e falta de transparência sobre decisões podem aumentar a sensação de insegurança.
Nem toda mudança organizacional é negativa, mas a forma como ela é comunicada e conduzida faz diferença para reduzir impactos emocionais.
Jornadas longas, mensagens fora do expediente, dificuldade de desconexão e demandas urgentes constantes podem prejudicar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Esse risco se tornou ainda mais evidente com modelos híbridos e remotos, em que os limites entre casa e trabalho podem ficar menos claros.
Lideranças despreparadas podem intensificar riscos psicossociais. Falta de feedback, comunicação agressiva, ausência de suporte, microgestão e pouca abertura ao diálogo prejudicam a experiência do colaborador.
Por outro lado, líderes preparados ajudam a identificar sinais de alerta e a construir ambientes mais saudáveis.
A identificação de riscos psicossociais deve combinar dados, escuta ativa e observação do ambiente de trabalho. O objetivo não é encontrar culpados, mas reconhecer fatores que precisam ser tratados.
Comece pelos dados que o RH já acompanha. Alguns indicadores podem sinalizar riscos psicossociais, como:
Esses dados não explicam tudo sozinhos, mas ajudam a apontar áreas, equipes ou processos que merecem atenção.
Pesquisas de clima, pesquisas de pulso, entrevistas, grupos focais e canais de escuta são ferramentas importantes para entender como os colaboradores percebem o ambiente.
O ideal é garantir confidencialidade, linguagem clara e perguntas que investiguem fatores como carga de trabalho, autonomia, apoio da liderança, reconhecimento, segurança psicológica e equilíbrio de vida.
Muitos riscos estão na forma como o trabalho é estruturado. Por isso, avalie:
Essa análise ajuda a diferenciar problemas pontuais de fatores estruturais.
A participação dos trabalhadores é essencial para tornar o diagnóstico mais realista. A revisão da NR-01 reforça a participação dos trabalhadores no processo de gerenciamento de riscos ocupacionais.
Além disso, as lideranças devem ser envolvidas porque influenciam diretamente o clima, a rotina e a forma como as demandas chegam às equipes.
Depois de identificar os riscos, o RH e as áreas responsáveis devem registrar as informações, priorizar os pontos mais críticos e criar um plano de ação.
Esse plano precisa ter responsáveis, prazos, medidas preventivas e critérios de acompanhamento. A gestão de riscos psicossociais não deve ser tratada como uma ação isolada, mas como um processo contínuo.

A prevenção depende das causas identificadas. Por isso, não existe uma única solução para todas as empresas. Ainda assim, algumas práticas podem contribuir para ambientes mais saudáveis.
Quando a causa está na sobrecarga, é importante rever prazos, prioridades, distribuição de tarefas, dimensionamento de equipe e fluxos de aprovação.
Pequenas mudanças de processo podem reduzir pressão, retrabalho e sensação de urgência permanente.
Líderes precisam estar preparados para gerir pessoas com clareza, empatia e responsabilidade. Treinamentos sobre comunicação, feedback, prevenção ao assédio, gestão de conflitos e saúde mental podem apoiar esse processo.
A liderança não substitui apoio especializado, mas tem papel importante na prevenção e no encaminhamento adequado de situações de risco.
Canais de escuta devem ser acessíveis, confiáveis e bem comunicados. No caso de denúncias, é essencial que a empresa tenha fluxo de apuração, proteção contra retaliação e tratamento responsável das informações.
Sem confiança, os colaboradores tendem a silenciar problemas até que eles se agravem.
Políticas de jornada, desconexão, flexibilidade, prevenção ao assédio, diversidade e inclusão ajudam a orientar comportamentos e decisões.
Mais do que documentos, essas políticas precisam ser vividas no dia a dia, com apoio da liderança e acompanhamento do RH.
A gestão preventiva exige acompanhamento. Pesquisas periódicas, análise de dados e fóruns de discussão ajudam a entender se as ações estão reduzindo riscos ou se precisam ser ajustadas.
Um programa estruturado de bem-estar corporativo pode apoiar a empresa na prevenção de riscos psicossociais ao atuar em diferentes frentes: saúde emocional, equilíbrio de vida, orientação especializada, acompanhamento de indicadores e ações contínuas de cuidado.
Esse tipo de iniciativa ajuda o RH a organizar uma estratégia mais consistente, em vez de depender apenas de campanhas pontuais. Entre as possibilidades estão:
Quando conectado ao diagnóstico de riscos psicossociais, um programa de bem-estar pode ajudar a empresa a agir sobre fatores como estresse, sobrecarga, insegurança, desequilíbrio entre vida pessoal e profissional e falta de suporte percebido.

O RH tem um papel estratégico, mas não atua sozinho. A gestão de riscos psicossociais deve envolver saúde e segurança do trabalho, lideranças, jurídico, comunicação interna e alta gestão.
Cabe ao RH apoiar a escuta dos colaboradores, analisar indicadores de pessoas, propor ações de bem-estar, capacitar lideranças e ajudar a transformar diagnóstico em plano de ação.
Também é papel do RH reforçar que saúde mental no trabalho não se resume a benefícios isolados. Ela depende de cultura, processos, relações, segurança psicológica e coerência entre discurso e prática.
Antes de avançar, vale revisar se a empresa já possui uma base mínima para lidar com riscos psicossociais:
Se muitas respostas forem negativas, esse é um sinal de que a empresa precisa estruturar melhor sua abordagem.
Os riscos psicossociais exigem uma nova postura das empresas diante da saúde mental no trabalho. Com a revisão da NR-01, o tema passa a fazer parte de uma gestão mais formal, preventiva e integrada aos processos de segurança e saúde ocupacional.
Para o RH, essa é uma oportunidade de transformar obrigação normativa em cuidado real com as pessoas. Ao identificar fatores de risco, ouvir os colaboradores, apoiar lideranças e implementar medidas preventivas, a empresa fortalece sua cultura, melhora a experiência do colaborador e contribui para ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis.
Aponte a câmera do seu celular para o QR Code, faça o download e aproveite vantagens exclusivas para colaboradores