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Geração Z no mercado de trabalho: o que esse público espera das empresas e dos benefícios

Grupo conversando

A geração Z no mercado de trabalho está transformando a forma como empresas pensam atração, retenção e experiência do colaborador. Para esse público, uma boa oportunidade profissional não se resume ao salário. Remuneração continua sendo importante, mas divide espaço com fatores como flexibilidade, bem-estar, propósito, desenvolvimento, reconhecimento e acesso a benefícios que façam sentido na rotina.

Essa mudança já aparece em pesquisas recentes. Segundo a Deloitte, a Geração Z busca uma combinação entre dinheiro, significado e bem-estar, além de valorizar aprendizado, desenvolvimento e segurança financeira na relação com o trabalho. O levantamento também mostra que apenas 6% dos profissionais da Gen Z apontam chegar a uma posição de liderança sênior como principal objetivo de carreira, embora continuem demonstrando ambição por crescimento e evolução profissional.

Para o RH, esse cenário traz um recado claro: atrair jovens talentos exige mais do que divulgar vagas. É preciso construir uma proposta de valor consistente, com cultura coerente, comunicação transparente e benefícios corporativos que acompanhem as novas expectativas do mercado de trabalho.

Qual é a geração Z e por que ela importa para as empresas?

A Geração Z reúne, em geral, pessoas nascidas entre a segunda metade dos anos 1990 e o início da década de 2010. No ambiente corporativo, esse grupo representa uma parcela cada vez mais relevante dos profissionais em início de carreira e dos novos ingressantes no mercado formal.

Diferentemente de gerações que conheceram a digitalização já na vida adulta, a Gen Z cresceu em um contexto conectado. Essa vivência influencia sua forma de aprender, consumir informação, se comunicar, avaliar marcas e escolher empregadores.

No trabalho, isso aparece em comportamentos como busca por agilidade, preferência por experiências digitais simples, valorização de autonomia e interesse por ambientes mais abertos ao diálogo. Mas reduzir essa geração a rótulos como “impaciente” ou “desapegada” é um erro. O que existe é uma mudança de expectativa sobre o papel do trabalho na vida.

A Geração Z quer crescer, mas não necessariamente a qualquer custo. Quer estabilidade financeira, mas também valoriza saúde mental. Quer reconhecimento, mas espera que ele venha acompanhado de relações mais transparentes. Quer tecnologia, mas não abre mão de conexão humana, liderança próxima e senso de pertencimento.

Geração Z no mercado de trabalho: o que mudou na relação com carreira?

Duas mulheres conversando

A principal mudança está na maneira como esses profissionais avaliam uma oportunidade. Antes, salário, cargo e estabilidade podiam concentrar a maior parte da decisão. Hoje, esses fatores continuam relevantes, mas são analisados junto com outros elementos da experiência de trabalho.

No Brasil, uma pesquisa da Robert Half mostrou que profissionais da Geração Z foram os que mais elevaram suas expectativas salariais em comparação com o ano anterior. Entre as empresas brasileiras ouvidas, 41% afirmaram que os profissionais dessa geração estão “muito mais exigentes” em relação ao salário, índice superior ao registrado entre millennials, geração X e baby boomers.

Esse dado não significa que a Gen Z valorize apenas dinheiro. Pelo contrário: ele mostra que reconhecimento financeiro também faz parte de uma proposta de valor justa. A mesma discussão envolve ambiente de trabalho, propósito, benefícios, desenvolvimento e qualidade de vida.

Em outras palavras, a Geração Z não está rejeitando o trabalho. Ela está questionando modelos que não oferecem equilíbrio, clareza e perspectiva.

O que a Gen Z espera dos benefícios corporativos?

A Gen Z espera que os benefícios corporativos sejam úteis, flexíveis, digitais e conectados às necessidades reais do dia a dia. Um pacote engessado, difícil de acessar ou pouco alinhado ao estilo de vida do colaborador tende a perder valor percebido, mesmo quando representa um investimento relevante da empresa.

Para esse público, benefício bom é aquele que simplifica a rotina, amplia escolhas e demonstra cuidado concreto. Isso envolve alimentação, refeição, mobilidade, bem-estar, saúde mental, educação financeira, reconhecimento e soluções digitais que facilitem o uso.

banner benefícios

Experiência digital simples e intuitiva

A Geração Z é digital-first. Ela está acostumada a resolver tarefas pelo celular, acompanhar informações em tempo real e usar aplicativos com navegação simples. Por isso, a experiência com benefícios também precisa acompanhar esse padrão.

Um cartão multibenefícios com gestão via aplicativo, por exemplo, ajuda a centralizar a experiência do colaborador, facilita o acesso às informações e reduz dúvidas operacionais. Para o RH, esse tipo de solução também contribui para uma gestão mais prática, com menos burocracia e mais autonomia para os usuários.

Quando o benefício é difícil de consultar, usar ou entender, parte do seu valor se perde. Já quando a jornada é digital, clara e acessível, a empresa reforça uma percepção importante para a Gen Z: a de que o cuidado com pessoas também passa pela qualidade da experiência.

Flexibilidade para diferentes estilos de vida

A Geração Z não enxerga todos os colaboradores como se tivessem as mesmas necessidades. Um profissional pode valorizar mais alimentação e mobilidade. Outro pode priorizar bem-estar, saúde mental, atividade física, apoio financeiro ou desenvolvimento.

Por isso, os benefícios flexíveis ganham força. Eles ampliam as possibilidades de escolha do colaborador, mas sempre dentro das regras definidas pela empresa. No caso dos benefícios de Alimentação e Refeição, por exemplo, os valores podem permanecer vinculados às respectivas finalidades, conforme as exigências do PAT ou a política adotada pela organização. Em cartões multibenefícios, a empresa também pode definir quais saldos podem ou não ser transferidos entre carteiras, garantindo flexibilidade com controle sobre o uso dos benefícios.

Esse modelo também ajuda o RH a construir um pacote mais competitivo, especialmente em empresas com equipes diversas, modelos híbridos, diferentes faixas salariais e perfis variados de colaboradores.

Para aprofundar esse tema, vale conectar a estratégia de benefícios à construção de um pacote de benefícios mais aderente à realidade dos colaboradores.

Bem-estar físico e mental como parte da proposta de valor

Bem-estar deixou de ser um tema periférico. Para a Geração Z, saúde mental, equilíbrio e qualidade de vida fazem parte da decisão de permanecer ou não em uma empresa.

A Deloitte aponta que investimentos em bem-estar, segurança financeira, significado e aprendizagem podem ser importantes para atrair, engajar e reter profissionais da Geração Z e millennials. Já o LinkedIn destaca que 66% dos profissionais da Gen Z gostariam de ver mais investimento em saúde mental e bem-estar como forma de melhorar a cultura da empresa, percentual superior ao de outras gerações.

Na prática, isso significa que o RH precisa ir além de ações pontuais. Programas de bem-estar, apoio à saúde física e mental, acesso facilitado a serviços e comunicação contínua podem ajudar a transformar cuidado em experiência concreta.

Esse ponto se conecta diretamente à discussão sobre employee experience, porque a percepção do colaborador é formada em cada interação com a empresa: da contratação ao uso dos benefícios, do feedback à rotina com a liderança.

Reconhecimento frequente e valorização real

A Geração Z valoriza retorno, reconhecimento e clareza sobre seu desempenho. Isso não significa necessidade de elogios constantes, mas sim expectativa por uma cultura em que entregas sejam percebidas, conversas sejam transparentes e critérios de crescimento estejam bem definidos.

Benefícios de premiação, campanhas internas e programas de reconhecimento podem apoiar esse processo quando são bem estruturados. O importante é que a valorização não pareça aleatória. Ela precisa estar conectada a comportamentos, metas, resultados e valores da empresa.

Reconhecer também é comunicar melhor. Muitas vezes, a organização investe em benefícios, mas não mostra ao colaborador o valor total do pacote. Para uma geração que compara experiências e pesquisa reputações, clareza é parte da estratégia de retenção.

Saúde financeira como cuidado com o colaborador

A saúde financeira também ocupa um lugar importante nessa conversa. Jovens profissionais estão construindo autonomia, lidando com custos de vida, planejamento de carreira e, muitas vezes, inseguranças sobre o futuro.

Por isso, soluções que apoiam organização financeira, acesso responsável a crédito, adiantamento salarial e educação financeira podem contribuir para uma experiência mais completa. Esse tipo de benefício ajuda a empresa a olhar para o colaborador de forma integral, considerando não apenas sua produtividade, mas também os fatores que influenciam seu bem-estar fora do expediente.

Os principais desafios da geração Z no mercado de trabalho

Mulhe rno sofá visualizando um tablet

Os desafios da geração Z no mercado de trabalho não estão apenas no comportamento dos jovens profissionais. Eles também aparecem no encontro entre novas expectativas e estruturas corporativas que nem sempre evoluíram no mesmo ritmo.

Um dos desafios é a adaptação a modelos muito rígidos. Ambientes com excesso de hierarquia, pouca autonomia e comunicação fechada tendem a gerar distanciamento. A Gen Z costuma valorizar escuta, clareza e participação, especialmente quando percebe que pode contribuir com novas ideias.

Outro ponto é a relação com desenvolvimento. Se a empresa não mostra caminhos de crescimento, oportunidades de aprendizagem ou perspectivas de evolução, o vínculo pode enfraquecer. O LinkedIn aponta que investir em crescimento de carreira ajuda a atrair e reter profissionais da Gen Z, especialmente quando a empresa entende seus objetivos, oferece mentoria e conecta desenvolvimento a trajetórias possíveis.

A saúde mental também é um desafio relevante. Pressão excessiva, falta de feedback, jornadas pouco sustentáveis e ambientes com baixa segurança psicológica afetam o engajamento de qualquer geração, mas ganham peso especial em um público que fala mais abertamente sobre bem-estar.

Além disso, há um desafio de comunicação entre gerações. Líderes formados em modelos mais tradicionais podem interpretar flexibilidade como falta de comprometimento, enquanto jovens talentos podem enxergar rigidez como falta de confiança. O papel do RH é criar pontes, orientar lideranças e construir políticas que favoreçam relações mais maduras.

Benefícios e mercado de trabalho: por que adaptar o pacote virou estratégia de retenção?

Em um mercado competitivo, benefícios não devem ser vistos apenas como custo ou obrigação. Eles fazem parte da proposta de valor da empresa e influenciam diretamente a percepção de cuidado, reconhecimento e pertencimento.

Para a Geração Z, essa percepção é ainda mais importante. Um pacote de benefícios flexível, digital e voltado ao bem-estar pode diferenciar a empresa em processos seletivos e ajudar a fortalecer o vínculo depois da contratação.

A lógica é simples: quando o colaborador percebe que a empresa entende suas necessidades, a relação tende a ser mais positiva. Isso não elimina desafios de gestão, liderança ou cultura, mas cria uma base mais consistente para engajamento.

Também é importante lembrar que retenção não depende de uma única ação. Benefícios ajudam, mas precisam caminhar junto com liderança preparada, oportunidades de crescimento, comunicação clara e ambiente saudável.

Por isso, ao discutir retenção de talentos, o RH deve avaliar se o pacote oferecido ainda conversa com o perfil dos profissionais que deseja atrair e manter. O que funcionava há alguns anos pode não ser suficiente para uma força de trabalho mais digital, diversa e atenta à qualidade da experiência.

Como o RH pode adaptar sua proposta de benefícios para a Gen Z?

Adaptar a proposta de benefícios não significa criar uma política exclusiva para uma geração. O caminho mais estratégico é desenvolver um modelo mais flexível e inclusivo, capaz de atender diferentes perfis sem perder consistência.

O primeiro passo é ouvir os colaboradores. Pesquisas internas, análise de uso dos benefícios, conversas com lideranças e canais de escuta ajudam a identificar o que realmente gera valor. Sem dados, a empresa corre o risco de manter benefícios pouco utilizados e ignorar necessidades mais relevantes.

O segundo passo é simplificar a experiência. A Geração Z valoriza autonomia, mas autonomia depende de clareza. O colaborador precisa entender quais benefícios tem, como usar, onde acessar informações e quais possibilidades estão disponíveis.

O terceiro passo é fortalecer a comunicação. Não basta oferecer um pacote robusto se as pessoas não compreendem seu valor. Campanhas internas, conteúdos educativos e ações de onboarding ajudam a aumentar adesão e percepção positiva.

O quarto passo é integrar tecnologia à gestão. Plataformas digitais, aplicativos e portais para RH reduzem burocracia, facilitam consultas e tornam o benefício mais próximo da rotina dos colaboradores.

Por fim, o RH precisa conectar benefícios à cultura. Se a empresa afirma valorizar bem-estar, desenvolvimento e flexibilidade, essas prioridades devem aparecer nas práticas diárias, e não apenas nos discursos institucionais.

O futuro do trabalho pede benefícios mais humanos, flexíveis e digitais

A geração Z no mercado de trabalho está acelerando uma discussão que já vinha ganhando força nas empresas: a experiência do colaborador precisa ser mais humana, flexível e conectada à realidade das pessoas.

Para atrair e reter esse público, salário competitivo continua sendo importante, mas não atua sozinho. A Gen Z observa o conjunto: benefícios, cultura, liderança, propósito, bem-estar, desenvolvimento, reconhecimento e facilidade de uso das ferramentas oferecidas.

Empresas que entendem esse movimento conseguem transformar benefícios corporativos em uma estratégia mais relevante para o negócio. Não se trata apenas de acompanhar uma tendência geracional, mas de construir uma proposta de valor preparada para o presente e para o futuro do trabalho.

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